Hoje, a especial pedido da mana, fui fazer a inscrição na segunda fase dos Exames Nacionais e voltei a uma Escola Secundária (já não se chama assim por causa das modernices, mas eu gosto mais do nome antigo por isso continuo a chamar-lhe assim).
Para meu espanto, o modo de funcionamento da secretaria e todo o processo necessário para a inscrição nos exames são no mínimo caóticos, as palavras organização e lógica não existem.
Na secretaria (com apenas uma funcionária no atendimento) pedem-nos para comprar os impressos na papelaria. Voltamos à secretaria com os impressos já preenchidos e perguntam-nos se já pagamos a propina. ?!@??? "Que propina?" Temos que voltar à papelaria para pagar e em caminho, ir a um gabinete onde duas professoras se vão certificar que os boletins estão bem preenchidos. Foi aqui que me apercebi que já se passaram oito anos desde que fiz os meus exames nacionais (sim, exames, que naquela altura faziam-se vários e éramos obrigados a ir, quer fossemos para a faculdade ou não).
Perguntam-me se tinha realizado exame na primeira fase, e eu digo-lhes que não sou eu que me vou inscrever, mas sim a minha irmã. Explico que ela fez exame na primeira fase, mas que chumbou e que por isso quer inscrever-se na segunda fase. Pára tudo!
(resposta da senhora professora, muito séria)
- Ela não chumbou! Aqui não se chumba! Ora, teve ... (menos de 10, logicamente) por isso pode inscrever-se no exame de segunda fase.
A partir deste momento, dei por mim a por em causa doze anos de matemática na escola, mais uns semestres de álgebra linear, análise matemática, estatística e disciplinas do género na faculdade.
Compreendo que um aluno que tire 9,5 num exame, seja considerado "aprovado" graças aos arredondamentos, até aqui tudo bem. Então, se de 9,5 valores para cima os alunos passam no exame, abaixo de 9,5 chumbam. Certo?
Não, claro que não! Porque os alunos não chumbam!
Quando li a pauta, bem que reparei que à frente do nome dos alunos que tiveram positiva, parecia "Aprovado", mas à frente dos alunos que tiveram negativa aparecia "-------". Ou seja, quem não é "Aprovado", não é "Reprovado". Não, estes alunos são "-------", que é totalmente diferente de ser "Reprovado".
Isto leva-me a pensar que provavelmente as professoras (estas em questão) começam a ficar formatadas e habituadas a esta via de facilitismo que tem vindo a ser impregnada no sistema de educação. Pelo pouco que me vou apercebendo, quer através de notícias nos meios de comunicação social, quer através de alguns professores que conheço, é cada vez mais difícil chumbar um aluno. Os alunos podem ter negativas nos testes, podem faltar desmedidamente, podem ser mal educados, podem fazer o que lhes apetecer, que no final do ano, aquando da decisão das notas finais, "alguém" vai incentivar (leia-se obrigar) alguns professores a darem positivas para que o aluno não reprove.
A meu ver é preciso ter cuidado, pois os "alunos levados ao colo" de hoje, podem muito bem vir a ser os professores de amanhã e, já podemos imaginar onde é que isto vai parar.